...vale a pena comentar :
. as pessoas vão com mochilas gigantes, carrinhos de compras ou malas de viagem de rodinhas para carregar os livros, dada a grande quantidade que compram.
. o mais engraçado é que tem uns que acho que só compram muito para falar que compram! Era com grande frequência que parava alguém e começa a falar : "Ai, mas sabe, olha, tenho uma lista enorme, já comprei uns tantos ontem, hoje vou comprar mais não sei quantos".
. o México era o país homenageado este ano e tudo correu normalmente, apesar da pouca quantidade de livros originais à venda. No ano que vem, o salão não terá país homenageado com a idéia de destacar os próprios autores e a literatura francesa, além do que a literatura estrangeira é vista como mais elitista enquanto o salão terá a intenção de ser mais acessível ao grande público. Em 2008, o país homenageado foi Israel, escolha que gerou alguns problemas como boicotes, a queda de público e até uma ameaça de atentado.
. é so brasileiro que pede desconto! "Tem desconto para brasileiro?", "Tem desconto aqui no salão?", "Não tem desconto porque é o ultimo dia?", "Ai, não tem nenhum desconto?"
. destaque para o estande o Asterix que imitava a vila com casinhas de papelão, mesinhas de madeira, caminhos no chão, réplica do Obelix, etc.
. destaque negativo para alguns estandes de mangás que mais pareciam lojas na 25 de março, com artigos japoneses pendurados de todas as formas.
. os grandes estandes contavam com espaços reservados onde faziam festinhas particulares e algumas reuniões.
. os expositores tinham um lugar reservado bem simpático, com uns sofás e algumas mesas para reuniões ou para uma pausinha. Eles ofereciam café, chocolate quente, suco e coca-cola.
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samedi 21 mars 2009
O estande do Brasil
Durante o salão, trabalhei em três estandes diferentes que eram associados, e tinham mais ou menos os mesmos responsáveis : o do Brasil, o da livraria Portuguesa e de Portugal e o das éditions Chandeigne (onde estou fazendo estágio).
O estande do Brasil é organizado pela Biblioteca Nacional, quer dizer, eles alugam o espaço para o estande, e contratam uma pessoa autônoma para ser a responsável durante o salão aqui na França (e que, por acaso, também cuida do estande brasileiro em Frankfurt). Uma outra pessoa que trabalha para o Biblioteca Nacional também vem para o salão, mas ela fica mais concentrada em reuniões e contatos.
Diferentemente do estande de Portugal, o brasileiro não tem nenhuma ajuda da embaixada aqui na França; este ano, a única pessoa da embaixada que apareceu no salão foi uma secretária, recém-chegada no país. Com verbas limitadas, o estande do Brasil não costuma ter nenhuma bebida ou canapé, seja na noite de abertura, seja para oferecer para algum cliente mais importante, como acontece nos outros estandes. Portugal, sim. Não tinha nada grandioso, mas um bom vinho do porto e outros vinhos portugueses não faltaram na abertura e nem no dia que uma ilustradora veio fazer pequenos desenhos para os compradores do Les Portugais à Paris.
Sobre os livros que estão presentes no estande do Brasil, eles são de 2 naturezas : alguns vêm da Livraria Portuguesa e Brasileira, que deixa os livros sobre Portugal no estande de Portugal e manda os livros sobre o Brasil pro estande do Brasil. E o restante, e maior parte, vem do Brasil. As editoras brasileiras doam alguns livros para a BN – pode ser algum livro que não vende, algum bom para fazer propaganda. Isso depende muito da editora, umas mandam vários, outras só um ou outro, etc. E então, a BN manda esses livros junto com algumas publicações próprias.
O resultado é que às vezes faltam os grandes livros brasileiros em português, (que não são doados), mas que geralmente existem em francês na livraria. No entanto, muita gente procura o estande do Brasil ou de Portugal com a intenção de aprender o português (sobretudo o brasileiro, como eles falam aqui) e nem sempre é fácil de indicar a literatura que temos no estande. Seria muito interessante ter livros bilíngües, vendi vários exemplares do Une singulière jeune fille blonde do Eça de Queiroz em edição bilíngüe para pessoas que estavam estudando português.
O valor arrecadado com todas as vendas no estande é repassado para a BN, e os livros que sobram são comprados pela Livraria, que às vezes faz boas promoções com eles e o restante vai para a embaixada que se encarregada de distribuí-los (às vezes mandam para instituições, bibliotecas, etc.). Mas o preço dos livros favorece muito as vendas : sem o preço da importação, e com a conversão para o euro, os livros acabam ficando bem acessíveis para quem recebe em moeda européia.
As vendas esse ano foram boas, sobretudo na terça-feira. É interessante comentar sobre o grande interesse pelo Brasil : as pessoas procuram muito mais o nosso português que o de Portugal, o estande do Brasil ficava em geral mais cheio que o de Portugal, mas as pessoas que procuravam Portugal geralmente sabiam melhor o que queriam, enquanto o Brasil tinha uma quantidade maior de curiosos.
O estande do Brasil é organizado pela Biblioteca Nacional, quer dizer, eles alugam o espaço para o estande, e contratam uma pessoa autônoma para ser a responsável durante o salão aqui na França (e que, por acaso, também cuida do estande brasileiro em Frankfurt). Uma outra pessoa que trabalha para o Biblioteca Nacional também vem para o salão, mas ela fica mais concentrada em reuniões e contatos.
Diferentemente do estande de Portugal, o brasileiro não tem nenhuma ajuda da embaixada aqui na França; este ano, a única pessoa da embaixada que apareceu no salão foi uma secretária, recém-chegada no país. Com verbas limitadas, o estande do Brasil não costuma ter nenhuma bebida ou canapé, seja na noite de abertura, seja para oferecer para algum cliente mais importante, como acontece nos outros estandes. Portugal, sim. Não tinha nada grandioso, mas um bom vinho do porto e outros vinhos portugueses não faltaram na abertura e nem no dia que uma ilustradora veio fazer pequenos desenhos para os compradores do Les Portugais à Paris.
Sobre os livros que estão presentes no estande do Brasil, eles são de 2 naturezas : alguns vêm da Livraria Portuguesa e Brasileira, que deixa os livros sobre Portugal no estande de Portugal e manda os livros sobre o Brasil pro estande do Brasil. E o restante, e maior parte, vem do Brasil. As editoras brasileiras doam alguns livros para a BN – pode ser algum livro que não vende, algum bom para fazer propaganda. Isso depende muito da editora, umas mandam vários, outras só um ou outro, etc. E então, a BN manda esses livros junto com algumas publicações próprias.
O resultado é que às vezes faltam os grandes livros brasileiros em português, (que não são doados), mas que geralmente existem em francês na livraria. No entanto, muita gente procura o estande do Brasil ou de Portugal com a intenção de aprender o português (sobretudo o brasileiro, como eles falam aqui) e nem sempre é fácil de indicar a literatura que temos no estande. Seria muito interessante ter livros bilíngües, vendi vários exemplares do Une singulière jeune fille blonde do Eça de Queiroz em edição bilíngüe para pessoas que estavam estudando português.
O valor arrecadado com todas as vendas no estande é repassado para a BN, e os livros que sobram são comprados pela Livraria, que às vezes faz boas promoções com eles e o restante vai para a embaixada que se encarregada de distribuí-los (às vezes mandam para instituições, bibliotecas, etc.). Mas o preço dos livros favorece muito as vendas : sem o preço da importação, e com a conversão para o euro, os livros acabam ficando bem acessíveis para quem recebe em moeda européia.
As vendas esse ano foram boas, sobretudo na terça-feira. É interessante comentar sobre o grande interesse pelo Brasil : as pessoas procuram muito mais o nosso português que o de Portugal, o estande do Brasil ficava em geral mais cheio que o de Portugal, mas as pessoas que procuravam Portugal geralmente sabiam melhor o que queriam, enquanto o Brasil tinha uma quantidade maior de curiosos.
Le Salon du livre de Paris
Acho que a melhor forma de falar sobre o salão do livro Paris é fazer alguns comentários de acordo com cada dia da semana.
12 de março, quinta-feira : para os grandes estandes (Gallimard, Actes-sud, Hachette, etc.) o trabalho de quinta pode começar mesmo na quarta. A idéia é a seguinte : você, geralmente um estagiário contratado pelas editoras, chega e encontra milhões de caixas fechadas, com milhões de livros dentro e o objetivo é organizar tudo isso de forma coerente, organizada e bonita. De uma forma que, às 19h esteja tudo perfeito pois é quando acontece a abertura oficial, apenas para os expositores e seus convidados, é claro, porque, de fato, a soirée é muito bem feita! Champagne, vinho, sucos e outras bebidas acompanhadas de comidinhas (de canapés de salmão até batatas chips) e docinhos (macarrons, básico! e outros mais requintados), tudo isso dependendo da preparação do estande. Bom, a noite termina com a galera fumando no meio dos estandes, copos em cima dos livros e por aí vai...
13 de março, sexta-feira : abertura normal para o público, nenhuma festa e é certamente o dia com mais crianças, mas sem grande movimento. Mas é sempre bom ter na ponta da língua respostas para perguntas como : “Onde a gente acha o Naruto?”, “Onde é o espaço picnic?”, “Onde eu acho os mangás?”, Vocês têm cartazes?”, etc.
14 e 15 de março, sábado e domingo : certamente os dias com mais gente. Nos corredores principais quase não da para andar. O fim de semana ainda conta com a presença dos principais autores franceses dando autógrafos.
16 de março, segunda-feira : é a journée professionnelle destinada a bibliotecários, escritores, livreiros, editores, e todos os outros profissionais ligados ao livros. O salão não fica tão cheio e apresenta palestras interessantes e mais direcionadas para esse público. No entanto, o salão fecha mais cedo, às 18h30, ao invés de 20h, como nos outros dias.
17 de março, terça-feira : é o dia mais difícil porque tem o horário noturno! É, o salão fecha às 22h. Ou seja, das 9h30 às 22h! Mas no fim das contas foi o dia que deu os melhores resultados de vendas. À noite também acontecem algumas festinhas, algumas são privadas, precisa de convite ou então de uma carinha simpática, e as comidinhas nem se comparam com as da abertura, mas o champagne continua por lá, e eu arrumei até uma maça de amor!
18 de março, quarta-feira : o último dia. Teve bem pouco movimento, dia para fugir um pouquinho do estande, ver um pouco o salão, comprar alguns livros, conversar e se despedir até às 17h quando o salão fecha e todo mundo começa a colocar todos os livros não vendidos nas caixas de onde vieram.
12 de março, quinta-feira : para os grandes estandes (Gallimard, Actes-sud, Hachette, etc.) o trabalho de quinta pode começar mesmo na quarta. A idéia é a seguinte : você, geralmente um estagiário contratado pelas editoras, chega e encontra milhões de caixas fechadas, com milhões de livros dentro e o objetivo é organizar tudo isso de forma coerente, organizada e bonita. De uma forma que, às 19h esteja tudo perfeito pois é quando acontece a abertura oficial, apenas para os expositores e seus convidados, é claro, porque, de fato, a soirée é muito bem feita! Champagne, vinho, sucos e outras bebidas acompanhadas de comidinhas (de canapés de salmão até batatas chips) e docinhos (macarrons, básico! e outros mais requintados), tudo isso dependendo da preparação do estande. Bom, a noite termina com a galera fumando no meio dos estandes, copos em cima dos livros e por aí vai...
13 de março, sexta-feira : abertura normal para o público, nenhuma festa e é certamente o dia com mais crianças, mas sem grande movimento. Mas é sempre bom ter na ponta da língua respostas para perguntas como : “Onde a gente acha o Naruto?”, “Onde é o espaço picnic?”, “Onde eu acho os mangás?”, Vocês têm cartazes?”, etc.
14 e 15 de março, sábado e domingo : certamente os dias com mais gente. Nos corredores principais quase não da para andar. O fim de semana ainda conta com a presença dos principais autores franceses dando autógrafos.
16 de março, segunda-feira : é a journée professionnelle destinada a bibliotecários, escritores, livreiros, editores, e todos os outros profissionais ligados ao livros. O salão não fica tão cheio e apresenta palestras interessantes e mais direcionadas para esse público. No entanto, o salão fecha mais cedo, às 18h30, ao invés de 20h, como nos outros dias.
17 de março, terça-feira : é o dia mais difícil porque tem o horário noturno! É, o salão fecha às 22h. Ou seja, das 9h30 às 22h! Mas no fim das contas foi o dia que deu os melhores resultados de vendas. À noite também acontecem algumas festinhas, algumas são privadas, precisa de convite ou então de uma carinha simpática, e as comidinhas nem se comparam com as da abertura, mas o champagne continua por lá, e eu arrumei até uma maça de amor!
18 de março, quarta-feira : o último dia. Teve bem pouco movimento, dia para fugir um pouquinho do estande, ver um pouco o salão, comprar alguns livros, conversar e se despedir até às 17h quando o salão fecha e todo mundo começa a colocar todos os livros não vendidos nas caixas de onde vieram.
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