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mardi 19 mai 2009

Christine de Pizan

Após o post de boa conduta das mulheres, nada como um simpático post sobre Christine de Pizan. Alguém que me acompanhou por todo o meu primeiro semestre, já que ela foi tema de um trabalhinho meu. Mas para falar dela é preciso, claro, voltar à sua época, à Idade Média, aos manuscritos e ao comecinho da literatura. Mas também a um momento em que a noção de autor era muito diferente da que temos hoje. Direito autoral? Como? se a circulação dos textos dependia justamente da sua copia?! Como? se o único a poder criar algo era Deus? De qualquer forma, alguns dos textos dessa época fazem realmente parte da nossa cultura geral: quem nunca ouviu falar de Chrétien de Troyes ou suas histórias em torno da cavalaria, de Lancelot e da Távola redonda?!

Christine de Pizan é conhecida como a primeira escritora francesa que conseguiu viver à partir de sua profissão, mas também uma das primeiras escritoras/escritores a assinar e a organizar de verdade suas obras. De origem italiana, ela vem com o pai para a França e casa com um nobre que acaba morrendo muito cedo. Para sobreviver, ela começa a escrever e organiza um atelier de escrita onde ela faz também a cópia de outros livros.

É com frequência que ela aparece mesmo nas iluminuras dos seus manuscritos, muitas vezes ela está dedicando a sua obra a algum membro da corte ou então em um momento de trabalho. Essas representações, assim como o fato de assinar suas obras, mostram a organização de Christine, mas mais do que isso mostram uma tendência do fim da Idade Média que é a reivindicação da autoridade de uma obra. Mesmo se ela oferece sua obra à Corte, é ela que é representada com o livro entre suas mãos, ou escrevendo.

Além disso, a representação da Corte é importante pois pode ser também uma forma de agradecimento. O fato do pai de Christine ter trabalhado na Corte do rei Charles V, permitiu que ela entrasse em contato com toda a riqueza cultural dessa Corte (que não era acessível a qualquer um), o que lhe possibilitou uma boa formação e condições intelectuais de trabalho.

Christine escrevia tratados de política e de filosofia, mas também poesias e uma temática recorrente em suas obras é a questão das mulheres. Mesmo se muitos estudos apresentam ela como uma grande feminista, estudos mais recentes mostram que, por outro lado, ela nunca questionou a ordem social vigente. De qualquer forma, as mulheres estão presentes nas mais diversas cenas: na construção de uma cidade em La Cité des dames, no meio da cavalaria, na guerra etc.

Iluminuras no Catalogue of Illuminated Manuscripts de la British Library.

mercredi 22 avril 2009

Biblioteca Digital Mundial da Unesco

A grande novidade sobre as tais das bibliotecas digitais é a Biblioteca Digital Mundial da Unesco (BMN, World Digital Library). Anunciada como uma das três grandes bibliotecas digitais, junto com Europeana e Google Book Search, ela disponibiliza documentos raros de diversas bibliotecas internacionais (como a Biblioteca Nacional do Brasil).

A nova biblioteca é apresentada em 7 línguas, entre elas o português, o que é realmente útil para o Brasil já que ainda não somos uma referência no quesito bibliotecas digitais. A contribuição brasileira é, por enquanto, de 157 documentos (que são sobretudo mapas e fotos antigas).

Particularmente, achei interessante o modo de exibição do site que vai mais no sentido descoberta, que pode ser explorado por qualquer um, sem que você procure exatamente um livro, permitindo uma visita pelo simples prazer de descobrir. Enquanto que outras bibliotecas digitais partem geralmente de uma pesquisa feita pelo usuário e oferecem alguns percursos de descoberta. Na BNM não existe nem a opção pesquisa avançada, vai de você fazer uma pesquisa geral e depois ir filtrando os resultados pelas opcões que aparecem à esquerda.

E pensar que há uns 3 anos, eu só via como era um livro manuscrito quando um professor levava seu grande livro caro sobre manuscritos e mostrava durante a aula. Agora, é só entrar na internet e ver o que quiser, dando um super zoom em cada detalhe, em cada iluminura.

dimanche 5 avril 2009

O manuscrito medieval e algumas peculiaridades

leituraemvozaltaestavalendosobreaformadecomposicaodosmanuscritos
madievaiseaoqueparecenaohaviaseparaçaodaspalavrasenempontuacao
aseparacaodosentidoerafeitaporlinhaparafacilitaraleituraealocalizacao
aleituraeraemvozaltapraticacomumatéoséculoIXoquefacilitavaaleitura
nocasodeumtextocomoesteentaodecidiescreverdomesmojeitoparaverse
defatoaleituraemvozaltafacilitavaeparecequesimmaséinteressantetentar
algumasabreviacoes 9:com 7:e ;:ue ~:nasalizacoes/al~ da falta de letras
9o o j 7 o u q; eram representadas do mesmo ieito q; o i 7 o v p. escrever
mais rapido ocvpar menos espaço 7 o texto ficasse bñ aliñado copistas
vtilizavã ˜ifinitas abreviac~ vtilizadas pra sons nasais palavras 9 grande
ocorrencia e nomes 9o DS diev JHS jesvs K charles XPS cristo ST santo
pontuacaocom o tempo ecom os trabalhos dAristophanedeByzance eda
biblioteca dAlexandria°palavras comecam a se separar euma pontuacao
simples comeca a ser utilizada`. ela mudou muito com o tempo°mas o
ponto final era uma composicao de pontos com traços°a virgula variava
deacordo com o tempo dapausa°mas era geralmente uma pontuacao no
alto ; pontoevirgula e outros sinais foram utilizados de forma variada`.
diagramação : a divisão em assuntos, capítulos e temas era feita com as
letras capitulares e/ou em cores, geralmente vermelha mas também em
azul, destacando temas e itens importantes. Além disso, os comentários
eram muito importantes na diagramação do manuscrito, assim como o
alinhamento de todos os textos da composição, de modo que o copista
utilizava abreviação mas mantinha a composição esteticamente perfeita